INFELICIDADES: A CULPA ERA DO PROFESSOR.

Sou infeliz profissionalmente.

Pronto.

Eu falei.

Deixei sair.

Aparentemente, era pra eu estar me sentindo melhor, mas eu apenas tô muito brava com o mundo para poder me sentir melhor agora.

E não é apenas por isso que eu não tô me sentindo melhor, é porque deixar isso sair não muda o fato de que não apenas sou infeliz profissionalmente, mas também não tenho um emprego.

E isso tudo é culpa de quem? Minha que escolhi a carreira errada? Mas é claro que não!

É tudo culpa do meu professor do Ensino Médio.

Ok, não é culpa dele, mas é mais fácil pensar que sim, deixa mais fácil de digerir.

Eu estudei numa escola não muito boa, faltavam um monte de professores. Nossa professora de matemática faltou praticamente um ano inteiro, alguns professores nem ligavam pra gente e nossa classe não tinha uma fama tão boa assim, também. Mas tínhamos dois ou três professores muito bons. Esse em especial, era um excelente professor, eu tinha uma certa implicância com ele porque ele sempre me chamava por outro nome, e por ele ser meio novo, ou eu apenas gostava de não gostar dele, mas sempre soube quão bom professor ele era. Ele até complementava, ou esclarecia alguns pontos de um outro professor nosso que era meio ausente (ou muito), era um professor firme, aparentemente muito profissional. A questão é que um dia surgiu um rumor sobre ele, entre os alunos e não sei dizer se um dia ou uma semana depois ele simplesmente saiu de licença não- remunerada. Entendam que eu não tô acusando ele de nada, nem mesmo vou entrar em detalhes sobre o rumor, mas a ‘impressão’ que ficou foi que o rumor poderia não ser tão rumor assim (queria poder contar a história toda, mas até com raiva do mundo, sei que não é minha história pra contar).

No final a gente ficou sem professor. E eu apenas fiquei com tanta raiva, tava estudando um conteúdo a mais, sozinha para o vestibular e tinha tanta coisa que a gente não tinha visto na aula ainda. Na minha cabeça de 16, quase 17 anos de idade,  aquilo era inadmissível, a falta de compromisso, meio que o sentimento de ‘abandono’, apenas não era justo.

Então, eu não tinha certeza de qual curso de faculdade prestar e me inscrevi em dois cursos de duas grandes universidades e no vestibular de uma delas, que tinha o curso mais longe e abrigava todas as minhas melhores chances de sair da minha pequena, pacata e absurda cidade, eu não entrei por duas questões. Se fossem três, cinco, sete, eu não sei, eu não teria me ressentido tanto, e no final eu só conseguia ficar me lembrando de todas aquelas questões que ele nunca chegou a ver com a gente na aula, e que eram as que ficaram  na minha cabeça, as culpadas de eu não ter entrado naquela universidade.

De verdade? Existiam outras muitas questões de outras matérias, que se tivesse acertado poderia ter entrado na faculdade. Mas a gente faz isso sempre: procura a quem culpar por nossos fracassos. E no meu caso foi aquele professor. Ainda é aquele professor.

Eu tava com muita raiva hoje, por tudo o que não está dando certo, por todas as coisas que não são como eu queria e de como me sinto infeliz e fiquei com uma raiva enorme durante um par de horas, apenas culpando ele. E por mais que seja irracional essa raiva volta sempre. Toda vez que eu vejo ele, por acaso, sinto uma vontade enorme de gritar com ele, dizer que as escolhas erradas dele atingiram outras pessoas também, exigir respostas, explicações, exigir que ele me prove que eu tava certa e que toda a mágoa não foi injustificada. Só que eu não faço nada disso, eu sempre me obrigo a erguer a cabeça e não mudar de calçada, fingir que tá tudo certo no mundo.

Porque francamente, o que é que isso mudaria?

Eu vou magicamente voltar no tempo e entrar pra faculdade que eu queria, e ter todas aquelas chances que eu nem sei se teria?

Ele vai me pedir desculpas? Mas desculpas pelo que? Ele não tem uma vida? As escolhas que eu fico aqui julgando, não são dele pra se arrepender?

Será que foi mesmo ali preenchendo as opções de curso pra faculdade que tudo deu errado? Será que deu errado mesmo?

E se eu talvez tivesse me esforçado mais pra aprender aquela matemática esquisita de alguma coisa espacial? Se eu soubesse mais sobre hipotenusas e catetos? E se…?

Eu sinceramente não sei. O que eu sei, é que na hora, naquela hora em que eu precisava de alguém pra dividir o fardo do que eu julguei como meu ‘maior fracasso’, eu só conseguia pensar nele, que foi comprometido com a minha classe por tanto tempo e simplesmente foi embora. Eu tinha uma dezena de outros professores para culpar, como aquela tia de matemática que ficou um ano todo fora, mas eles simplesmente não se importavam o suficiente.

Talvez nem ele se importasse.

Racionalmente, eu sei que não posso ficar voltando a ele, toda e cada vez que eu me sentir infeliz por ter caído numa carreira que eu sei que posso ser boa, que me fascina, mas que não tem espaço onde moro, assim, como sei que não posso culpar meus pais, por não terem ganhado na mega, algumas luas atrás (de preferência, na lua do dia em que eu nasci) e ter feito qualquer coisa que eu quisesse, incluso, nada.

E é diferente de tentar me enganar, fantasiar ou acreditar na realidade que criei. Eu estou nisso de olhos abertos. Não tenho nenhuma resposta, nem acho que adiantaria se tivesse.

Mas por enquanto, e tendo visto tudo o que vi, eu não perdoo você, professor. Mas só porque não me perdoo também.

Isso é errado em tantos níveis, mas faz pesar menos, todas essas possibilidades de, ‘e se?’, que a gente encontra, compra e carrega por aí, faz parecer que a gente não é tão culpado assim, que não erra tanto. Culpar as outras pessoas é bem mais fácil, bem mais simples. É como se eles errando e sendo humanos fosse aceitável, mas Deus me livre, ser humana a esse ponto e assumir meus erros sozinha. Mas até quando isso vai ser o suficiente?  Quanta gente eu ainda vou achar que tenho o direito de desculpar? Até que ponto é tão errado ser egoísta assim? Qual vai ser o erro com o número sorteado que vai voltar pra bater na minha cara e me dizer que o problema nunca foi o professor?

Porque eles voltam, voltam sim.

Fernando Pessoa (que tinha alguns heterônimos para culpar), nesse caso, Alberto Caeiro disse:

“Pensar incomoda como andar a chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.”

Hoje, tá chovendo demais em mim, mas o problema é o vento.


Oi gente, olha eu aqui de novo. Tudo bem com vocês?

Vou criar uma categoria nova aqui no blog (ai caramba! mas eu sempre quis dizer isso soa tão maduro e profissional e ai meu Deus!), como vocês puderam observar vai se chamar: INFELICIDADES. Pra ser bem sincera o blog só tem duas categorias: uma sobre resenhas e outra sobre tags, o resto nada mais é do que eu vomitando arco-íris por aqui e nem sempre eles são os mais coloridos. A questão é, eu criei o blog num momento muito ruim, ruim mesmo, e era pra ser uma válvula de escape. E geralmente minha válvula de escape são os livros, então uni os dois, que era sobre o que eu sabia falar, não tão bem, mas ainda sim. Só que às vezes tenho tanta coisa na cabeça, e não tenho como deixar sair, pelo menos, não sem magoar algumas pessoas. Então, resolvi, categorizar tudo isso aqui. Então, aqui eu vou falar sobre qualquer coisa que me impeça de tomar banho no tempo de uma pessoa normal e ficar meia hora debaixo do chuveiro dissecando cada pequena parte de qualquer coisa.

Nesse primeiro post falei sobre o que basicamente me levou a querer criar essa ‘categoria’ (eita, olha eu falando isso de novo).

Primeiramente gostaria de dizer que esse fosse o tipo de post que se tivesse aquele famoso: “leia esse post ao som de…”, seria uma daquelas músicas tristes que passavam nas dramatizações do programa da Márcia Goldschmidt, o que certamente me faz pensar naquela moça que fazia voz sofrida pra narrar aquilo tudo, então, pense nela você também 😉 kkkk

Enfim…

Espero não ter entediado vocês até a morte, e prometo fazer o sol brilhar nos próximos post’s (cata eu procurando uma foto do sol do teletubbies pra postar aqui kk), cuidem-se vocês.

Beijos ;*

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5 comentários sobre “INFELICIDADES: A CULPA ERA DO PROFESSOR.

      • Rômulo Pessanha disse:

        eu entendo voce; talvez se voce buscasse a origem, tipo, desde que momento você achou que era isso ou aquilo que voce queria, muita gente passa por isso; agora se a pessoa esta firme financeiramente ela nem liga se vai se formar ou não ; conheço pessoas que nem ligam pra faculdade, só nós pobres mortais é que temos que ralar pra ter uma profissão.
        Mas seja como for, te desejo todo o sucesso do mundo na carreira que voce escolher. Abraço.

        Curtido por 1 pessoa

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