INFELICIDADES: AQUELE JEANS NO ARMÁRIO.

As pessoas tem o costume de acumular coisas.

Essa coisa do desapego? Ela não é nada fácil.

Acho que o ser humano é apegado por natureza. Compra roupas que não vai usar, guarda todas aquelas coisinhas inúteis que ‘um dia vai precisar’, mas que acaba nunca realmente usando. Freud provavelmente tem uma teoria que explique isso, se não tiver, algum outro cara inteligente e com tempo bastante ocioso pra pensar, tem.

Eu não exatamente me enquadro no quesito super inteligente, mas tenho muito tempo vago e minha própria teoria sobre isso: acho que a gente se apega demais as lembranças, as ideias e aos ideais que a gente cria em relação a tudo.

As pessoas por exemplo:

A gente vive tentando salvar relacionamentos, sejam eles amorosos ou apenas amizades. E isso é o que acaba tornado os términos bem mais dramáticos. Se a gente fosse mais descomplicado, conversasse e aceitasse que se acabou, acabou. É adeus, seja feliz, e vida que segue, tudo seria mais simples.

“Por isso, sou a favor do jogo limpo. Se uma coisa te feriu e te machucou, diz. Se uma coisa ficou entalada na garganta, cospe. Se uma coisa tá incomodando, tá te apertando, tira. A vida fica mais simples assim.”
 — Clarissa Corrêa.

Mas nunca é assim, a gente tem essa mania de que quando a gente cria sentimentos por alguém, cria junto uma imagem na cabeça sobre essa pessoa. Uma imagem mais bonita, com áudio de primeira e em alta definição. E em todos os casos, nunca é assim.

Isso mesmo, NUNCA, as pessoas nunca são como idealizamos.

Um dia no meio de uma conversa, uma amiga muito sábia disse que o que enxergamos de bom ou ruim em uma pessoa, é reflexo nosso. Que nós seres humanos, só conseguimos detectar no outro, características que possuímos.

E é isso o que tentamos fazer com as pessoas a nossa volta: projetamos nossas melhores qualidades nas pessoas de que gostamos e começamos a observar somente elas. Porém, quando as pessoas começam a não ser tão perfeitas, quando reconhecemos características não tão boas, demoramos a aceitar que nosso ideal, era apenas isso: um ideal. O mesmo acontece com as pessoas que não gostamos: refletimos nossas piores características. Por isso é tão difícil reconhecer quando pessoas que odiamos, fazem algo bom.

E então entramos em processo de luto, luto esse, que na verdade não tem nada a ver com aquela pessoa ou objeto em si, mas sim com a ideia que criamos sobre eles.

Primeiro, nos negamos a acreditar que aquilo está acontecendo conosco. Então, ficamos com raiva do mundo e depois de um tempo, tentamos consertar mais uma vez e negociar a situação, só para depois darmos de cara com a realidade novamente, entrar em estado de inércia, lamentar, chorar, sofrer, cogitar o famoso suicídio com faca de manteiga. E no final, conseguimos aceitar e seguir em frente.

Pode soar um pouco macabro, mas adoro o processo de luto, obviamente, não passar por ele, mas sim, toda essa teoria, todas essas etapas e acabo aplicando esse processo em quase tudo: desde meu relacionamento com as pessoas até minhas roupas, que surpreendentemente é o que me levou a escrever sobre isso.

Eu tenho um jeans no armário, na verdade, acho que todo mundo guarda aquele jeans que usava em sua melhor forma, com a desculpa de começar uma dieta, perder todos aqueles quilos e entrar nele novamente. O que na minha opnião, é um ótimo incentivo, legal mesmo.

Só que as pessoas fazem isso da maneira errada. Elas raramente fazem essa dieta, e guardam o jeans com aquela ideia um pouco  fantasiosa de que se aquele jeans couber, seus melhores dias vão voltar também e tudo vai ser fan-tás-ti-co!

Só que deixa eu contar uma novidade pra vocês: a única coisa que vai acontecer vai ser aquele jeans servir em você. E nem vai ser tão legal assim, no caso por exemplo de ele ter sido moda nos anos 80 ou ainda, você pode ter guardado ele por tanto tempo que ele simplesmente vai rasgar na bunda quando finalmente você for usá-lo.

E fica pior, quando ele entrar em você, você vai se olhar no espelho e pensar: tá legal, e agora?

Quer você aceite ou não, tudo na vida tem uma data de validade. A cada segundo de cada dia, você muda, a vida muda você e algumas coisas simplesmente não te servem mais ou você não serve mais para algumas delas, e se você continua a carregar todas elas, elas afundam você.

A gente tem que aprender a olhar o quadro todo e não só a figura em destaque, tem que aprender a lidar com as coisas ruins e que nem sempre perder seu jeans favorito é a pior coisa do mundo. Você vai terminar relacionamentos o tempo todo, vai deixar amizades irem todos os dias e você tem que aprender que não pode continuar prendendo as pessoas a você. Não tem aquele cara que diz que o amor não é egoísta? Pois é, tá na hora de você aprender, que ele foi uma das poucas pessoas que não mentiu pra você.

“Mas a lição que eu aprendi é que não vale a pena consertar um carro pela décima vez. É mais fácil comprar um novo e fim de papo. Afinal, eu bem que tentei consertar meu relacionamento com algumas pessoas e só ganhei mais e mais poses e menos e menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver mal assombrado.”
— Tati Bernardi.

Egoísmo destrói relações e a melhor forma de apego é deixar ir. Tenho certeza que algum outro cara esperto disse também que amor demais sufoca. O que acontece se você rega demais uma planta ou deixa ela muito tempo no sol? Isso mesmo, ela morre. Aceite que nem sempre você o é fator principal dos seus fracassos, mas que é o fator definitivo de cada um deles, e só você decide como cada um te afeta e como você segue em frente depois.

O jeans não serve mais? Doe ele pra alguém que precisa! Aquela blusa que você comprou pra usar naquela festa que você acabou perdendo? Use ela hoje! Aquele batom que é o seu favorito, mas que passa mais tempo na maleta de maquiagem do que na sua boca? Use ele hoje, guarde ele na bolsa e leve sempre com você. Você quer emagrecer? Ótimo! Comece essa sua dieta hoje, compre um vestido novo e faça novas memórias. Aprenda a aceitar seus defeitos, pra poder enxergar aos do outro e saber lidar com eles.

É como aquela citação que eu sempre amei: “E o dia chegou, em que o risco de permanecer presa em um botão se tornou mais doloroso do que o risco de florescer.” Não perca uma chance de seguir adiante.
– Hayley Williams.

E eu digo pra vocês: não levem o mesmo tempo que eu pra aprender a deixar ir.

É libertador.

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